Adoração Digital

Sim, estamos de volta à década de 90, aonde qualquer desenho, boneco ou “coisas da moda” pertenciam à “Satanás Corporation”! Pokémon GO foi lançado no Brasil e já recebeu o rótulo de jogo do diabo, manipulador de mentes e outros nobres adjetivos.Segue a minha opinião a respeito do jogo e também de seus acusadores.

Esse é o mais recente lançamento da franquia Pokémon, lançado para Android e IOS, o jogo utiliza o GPS do celular e a câmera do aparelho para levar a experiência aos jogadores, que devem sair pelas ruas de sua cidade para capturar os monstros de bolso. Através da tela do celular ,o “mestre Pokémon” vê uma representação do mapa de sua cidade e, a medida que caminha encontra Pokémon para capturar, ginásios para batalhar e locais para obtenção de itens, os chamados PokeStops.

Os PokeStops e ginásios geralmente são elementos da cidade como arte urbana, estátuas, estádios, monumentos e IGREJAS. Sim, muitas igrejas são PokéStops, e quase sempre há uma aglomeração de jovens em seus arredores.

Esse jogo é produto de colaboração da Niantic, inc, Nintendo e Pokémon Company. A Nintendo que sempre teve muito zelo com suas franquias,  lançando consoles portáteis de sucesso,  resolveu entrar no mercado de Smartphones a pouco tempo e Pokémon Go é fruto dessa decisão.

O jogo é uma febre no nosso país e no mundo, tenho visto muitos adolescentes e jovens nas ruas com seus celulares caçando Pokémon. Veja esse evento ocorrido no Central Park, em Nova York:

Essa galera toda está indo atrás de um Pokémon raro!

Pokemon_2
Com uma grande popularidade, é de se esperar que o jogo tome lugar nos noticiários e nos púlpitos das igrejas, algo que também ocorreu com o lançamento do Anime de Pokémon em 1997. Alguns pastores e críticos tem afirmado que o jogo é estratégia de Satanás para dominação de mentes e enfraquecimento da igreja. O televangelista Rick Wiles afirmou que o jogo é um “ímã para os poderes demoníacos” e essa opinião é compartilhada
por vários evangélicos no facebook, alguns afirmam ser do demônio, outros afirmam que o jogo domina as pessoas não necessariamente com a ajuda do diabo. E eu já acho que a situação precisa ser analisada antes de ganhar um rótulo.

O primeiro ponto que trago é que Pokémon GO não traz nada de tão inovador: os sistemas de GPS já estão popularizados a algum tempo e a realidade aumentada(tecnologia utilizada pra projetar os monstrinhos no mundo real através da câmera) também não é algo nada novo. Ressalto ainda que o Pokémon GO, no fim das contas, é como se fosse uma versão mais nova de um jogo lançado em 2012 também pela “Niantic, inc”, o Ingress.

O Ingress é basicamente o Pokemon GO sem utilizar a realidade aumentada, em vez de Pokémons o universo do jogo está em torno de portais que você ativa para seu time e os fortalece contra a equipe rival. O vídeo abaixo explica um pouco de suas mecânicas:

 

Nunca ninguém condenou Ingress e o jogo saiu em 2012!

É importante dizer também que o público-alvo do Pokémon GO não é infantil nem adolescente, na verdade o game é focado no pessoal mais velho, inclusive a geração de monstros do game é a mesma do início da série animada e o vídeo de lançamento de GO mostra pessoas adultas jogando e ,quando uma criança aparece, está ao lado de alguém mais velho acompanhando.

Sabendo que a tecnologia utilizada não é inédita, vale lembrar que não há nada de novo na fórmula de Pokémon, cujo primeiro jogo foi lançado a 21 anos atrás.

A questão principal do jogo é que ele é muito popular, e essa popularidade toda chamou atenção das pessoas. Os riscos que traz não são exclusivos dele e é por isso que eu acho que o game não deve ser considerado maligno dessa forma. Os problemas do Pokémon são os mesmos do Facebook, do Whastapp e Instagram(e tantos outros). As pessoas deixam de ficar atentas ao ambiente tanto em Pokémon tanto em redes sociais e demais jogos, outro problema é a questão do tempo dedicado ao jogo, que obviamente pode prejudicar, assim como o tempo de permanência nas redes sociais.

Pessoas jogando Pokémon precisam estar atentas a todos os riscos possíveis, e o próprio jogo alerta sobre isso, e se você joga ou acompanha quem joga deve ter sua atenção redobrada enquanto estiver se divertindo. O que eu não acho aceitável é querer demonizar um jogo cujos pontos negativos são os mesmos de outras ferramentas muito utilizadas por aqueles que acusam. Podem achar o jogo ridículo, infantil e bobo, e tais críticas são até válidas, afinal nem todo mundo gostava dos jogos ou desenhos, mas demonizá-lo sem nenhum tipo de análise crítica é um ato preconceituoso.

Não estou querendo dizer que nenhum produto de entretenimento possa conter elementos nocivos em sua essência. Na minha opinião, o Anime Yu-Gi-OH! por exemplo, apresenta um conteúdo pesado para a criança e adolescente, contendo muita simbologia ocultista, necromancia, incorporações e etc. Certamente existem várias coisas que podem ser sim destrutivas e criadas com propósitos malignos, o papel do cristão é analisar cautelosamente e com sobriedade o conteúdo que se permite consumir(1 Ts 5.21 e 22). Julgar determinada coisa como demoníaca de prontidão é recusar-se a refletir a respeito, é abraçar a ignorância. Se deixar de lado o preconceito e procurar entender as motivações tanto dos criadores quanto dos consumidores, certamente terá uma opinião mais fundamentada tanto para classificar algo como inofensivo quanto  inadequado.

Acredito que a febre do jogo vai passar bem rápido, igual boa parte dos virais da internet. O que parece que não vai passar é o fenômeno da ofensa livre feitas por cristãos no Facebook, é o compartilhamento de informações falsas toda hora, são os crentes de digladiando por causa de Calvino ou Armínio, é o jovem que expõe sua vida em detalhes  no Instagram, é o pai que não se preocupa em saber que conteúdo o filho vê na internet, etc…(assuntos para outros artigos). Tais coisas são muito nocivas! E a culpa não é das redes, são dos usuários.

Se procurarmos observar o fenômeno com olhos limpos vamos enxergar um campo missionário para evangelizar, podemos entender um pouco do que fascina tanto esse pessoal e, por que não, utilizar-se de estratégias com o jogo para propagar o Reino de Deus.

Deixo aqui dois artigos relatando grandes benefícios que o jogo já trouxe, leia com carinho:

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/07/jogar-pokemon-go-tem-ajudado-pessoas-com-depressao.html

http://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2016/08/como-pokemon-go-transformou-vida-de-jovem-autista-que-nao-conseguia-sair-de-casa.html

Devemos amar os jogadores de Pokémon GO, devemos entender que a mera condenação de algo que tem valor para as pessoas não contribui para a evangelização delas, devemos tirar a trave dos nossos olhos. Devemos ser como Cristo.

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