Adoração Digital

Mais uma notícia relacionada aos games chocou o país esta semana, foi o caso de um rapaz de 13 anos, Gustavo Riveiros Detter, que veio a falecer após realizar algo chamado de Choking Game ou “Jogo da Asfixia”. Gustavo jogava o game League of Legends e após perder uma partida foi desafiado pelos participantes a interromper o fluxo de sangue pro cérebro. No caso, o adolescente se enforcou com uma corda ligada a um saco de boxe.

Será que  jogo online que Gustavo jogava antes de se enforcar tem alguma relação direta com o trágico fato? Acompanhe!

 

Vários noticiários informaram o caso, quero comentar o vídeo veiculado na TV local e presente no final da reportagem do seguinte link:

 

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2016/10/policia-vai-investigar-jovens-que-viram-morte-de-menino-por-webcam-em-sp.html

 

A postura dos jornalistas na reportagem em vídeo me deixou profundamente preocupado, percebe-se nos primeiros minutos de reportagem que eles não entenderam como ocorreu a fatalidade. Ora, o jogo online não foi o incentivador da prática do enforcamento, o desafio foi proposto pelo grupo de jogadores que participavam da partida. Os jornalistas atribuíram a prática de se jogar online à fatalidade, vamos conferir algumas péssimas colocações dos mesmos:

 

1 – Jornalista: “Como ficar alerta para que esses adolescentes não cheguem ao limite, como aconteceu nesse caso?”[5:07]

A jornalista considera o trágico ato  ocorrido como se fosse o “Límite” da prática do jogo online. O termo “limite” utilizado foi altamente infeliz pois assume que toda pessoa que joga online pode, de algum jeito, atingir o tal “limite” caso alguma medida não seja tomada. Não reclamaria da afirmação se a reportagem estivesse retratando algum vício ou problema decorrido de jogo em excesso, o que realmente pode acontecer. O “Limite” colocado pela jornalista é um caso de morte por enforcamento, sendo assim, qualquer pessoa que joga pode chegar ao enforcamento? Pra mim é claro que o “jogo da asfixia” foi proposto pelos colegas e não por excesso de jogo ou coisa do gênero. Nem sabemos se o rapaz jogava em excesso e as notícias não relatam isso.

 

2 – Jornalista “Como eles[os pais] poderiam identificar se um jogo é perigoso ou não?[9:44]”

A esse ponto da reportagem a palavra “jogo” já foi mencionada várias vezes, algumas referindo-se ao “Jogo da asfixia” praticado pelo rapaz, outras se referindo como o Jogo eletrônico jogado pelo garoto. A confusão já estava instaurada, imagine um pai leigo no assunto tentando entender os perigos relatados? A edição mostra posteriormente o delegado do caso dizendo que o nome do (jogo) é “Choking Game”, mas não se dá o trabalho de elucidar qual jogo seria esse, o online ou o trágico desafio.

 

3 – Jornalista “…e muitos são até violentos, né Gisela?”[10:13]
Esse eu nem vou comentar, é um tema que merece um post específico.

Vale ressaltar que a postura da psicóloga com relação aos games foi correta e sóbria. Ela soube mostrar o papel dos pais no acompanhamento dos filhos e a necessidade da vigilância e controle da situação, mandou muito bem ao aconselhar que os pais joguem os jogos que os filhos gostam e conheçam com quem eles tem jogado.

jornalista

 

 

Em setembro desse ano, Garrett Pope Jr, um garoto de 11 anos do morreu praticando o “jogo da asfixia” nos Estados Unidos. Este artigo do New York Post informa que existem milhares de vídeos e tutoriais na internet mostrando a prática, os adolescentes forçam o desmaio na tentativa de viver uma certa euforia ao voltar a respirar. A notícia relata ainda que não é algo novo na internet ou nos playgrounds. É um fenômeno comum na internet e nas escolas. Nenhum das notícias internacionais procuradas relacionava a prática da asfixia com qualquer game online(links no final do post).

 

choking-game

 

A resposta para a pergunta presente no título desse artigo é: “Nenhuma”. Não há relação entre o jogo online e o desafio do estrangulamento pelo qual este rapaz se submeteu, a tal “brincadeira” fatal não é incentivada pelo jogo de forma alguma, poderia acontecer depois de uma partida de xadrez, ou um simples “Par ou Ímpar”. Vimos que é uma prática infelizmente comum dentre adolescentes e não depende de qualquer jogo para ocorrer.

Imagine você que um jogador de xadrez monta em um cavalo, atropela e mata o bispo de uma igreja, a culpa disso seria do jogo? Obviamente não! Conhecendo o jogo entendemos que apesar das alegorias com bispos, cavalos e demais representações, nenhuma violência na vida real é incentivada pelo Xadrez. Chega a soar ridículo ter que trazer esse exemplo, mas acho que é necessário. Quer saber se algum jogo incentiva algum crime ou violência? Conheça-o, jogue-o, converse com seu filho ou outro jogador a respeito, entenda por que ele joga. É simples assim!

Não poderia deixar de me posicionar quanto essa postura que se tem em responsabilizar os games por todos os problemas e malefícios causados aos outros. Não quero, de forma alguma, dizer que todo jogo existente seja isento de algum mal em si(tratei um pouco disso no post anterior), mas ocorre que frequentemente os games são alvos de sérias acusações por parte de pessoas leigas ou que tem um entendimento equivocado no assunto. O cristão e o cidadão em geral não pode fechar seus olhos para a situação da sociedade atual, responsabilizar alguma coisa sem conhece-la é o caminho mais fácil, mas não necessariamente é o verdadeiro.

 

Nóticias sobre o Choking Game:

http://nypost.com/2016/09/12/kids-wont-stop-playing-the-deadly-choking-game/

 

http://www.usatoday.com/story/news/nation-now/2016/09/07/sc-boy-dies-after-playing-choking-game/89950828/

 

 

Comente sua opinião.

 

 

  • Artigos Recentes

  • Categorias